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Segurança

Chamadas seguras: como as conversas da sua empresa são protegidas

Uma chamada pela internet pode ser tão privada quanto uma reunião a portas fechadas ou tão exposta quanto uma conversa aos gritos no meio da rua. A diferença está em como ela é protegida, e aqui explicamos isso sem termos técnicos.

Pela equipe da 19 80 TIC Cloud··7 min de leitura
Chamadas seguras: como as conversas da sua empresa são protegidas

Por que uma chamada pela internet pode ser escutada?

Quando a sua empresa usa telefonia IP (também chamada de VoIP, Voice over Internet Protocol ou voz sobre o protocolo de internet), cada conversa é dividida em milhares de pacotes de dados que viajam pela rede, assim como um e-mail ou uma página da web. Essa é a grande vantagem: você não precisa de cabeamento telefônico, pode ter ramais em qualquer cidade e paga muito menos.

O problema é que, por padrão, muitos desses pacotes viajam em texto claro, ou seja, sem nenhum tipo de proteção. Quem conseguir se posicionar em algum ponto do caminho (uma rede Wi-Fi pública, um equipamento comprometido dentro do seu escritório, um link mal configurado) poderia ver com quem você fala e, no pior caso, reconstruir o áudio da chamada. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) já alertava sobre isso em seu guia SP 800-58 sobre segurança em VoIP: a voz sobre redes de dados herda os riscos dessas redes e precisa de controles próprios.

A boa notícia é que existem padrões abertos, testados durante anos, para fechar essa porta. Basta ativá-los e configurá-los bem.

Duas coisas a proteger: o envelope e a carta

Uma chamada pela internet tem duas partes, e cada uma é protegida de um jeito diferente. Pense em uma carta que você envia pelo correio:

Se você protege só o envelope, alguém ainda pode ler a carta. Se protege só a carta, vão saber para quem você escreve e quando. Por isso, uma chamada realmente segura criptografa as duas coisas.

SIP sobre TLS: o envelope lacrado

O TLS (Transport Layer Security, segurança da camada de transporte) é a mesma tecnologia que protege o seu internet banking quando você vê o cadeado no navegador. Segundo a IETF, o objetivo dele é impedir que um terceiro escute, altere ou falsifique as mensagens. A versão atual é o TLS 1.3, publicado no RFC 8446 e revisado recentemente no RFC 9846; a versão anterior, o TLS 1.2, era descrita no RFC 5246.

Quando a sinalização SIP viaja dentro do TLS, é como colocar o envelope em um cofre que só o remetente e o destinatário conseguem abrir. Além disso, o TLS usa certificados digitais para que cada ponta confirme que está falando com o servidor correto e não com um impostor. O próprio RFC 3261 prevê isso com o esquema SIPS, que exige transporte criptografado com TLS no trecho até o domínio de destino.

SRTP: a voz em um idioma que só as duas pontas entendem

O SRTP (Secure Real-time Transport Protocol, a versão segura do RTP) é definido no RFC 3711. Ele faz três coisas importantes com a voz:

  1. Confidencialidade: criptografa o áudio, por padrão com o algoritmo AES, de modo que, se alguém interceptar os pacotes, só obtém um ruído sem sentido.
  2. Autenticação da mensagem: permite detectar se alguém modificou um pacote no caminho.
  3. Proteção contra repetição: rejeita pacotes que um atacante tente reenviar para confundir a chamada.

Um detalhe fundamental: o SRTP não distribui as chaves sozinho; isso é feito por mecanismos externos combinados durante a sinalização. Por isso, SRTP e TLS funcionam melhor juntos: se o envelope estiver aberto, as chaves da voz podem ficar expostas.

Os ataques mais comuns contra a telefonia IP

Não é preciso ser especialista para entender os riscos. O RFC 3261 e o guia do NIST descrevem, entre outros, estes cenários:

Por exemplo: um ramal com senha fraca

Imagine uma empresa de distribuição em Medellín com 40 ramais em um PABX em nuvem. Para agilizar a instalação, todos os ramais ficaram com uma senha curta e parecida com o número do ramal, e o servidor aceita conexões de qualquer país.

Numa sexta-feira à noite, alguém testa combinações automaticamente, descobre a senha de um ramal e o registra a partir de outro lugar. Durante o fim de semana, usa essa linha para fazer chamadas internacionais. Na segunda-feira, a empresa descobre o consumo e ainda percebe que as chamadas comerciais desse ramal podem ter sido desviadas.

O que teria evitado isso? Senhas longas e únicas, um firewall que só aceite conexões dos países e das redes onde a empresa opera, bloqueio automático após várias tentativas malsucedidas, limites de consumo e alertas de tráfego incomum. Nenhuma dessas medidas é cara; caro é não tê-las.

Boas práticas para proteger as chamadas da sua empresa

O que perguntar ao seu provedor de telefonia

Antes de contratar (ou renovar) um serviço de PABX em nuvem ou de telefonia móvel empresarial, faça estas perguntas e peça respostas concretas:

  1. Vocês suportam SIP sobre TLS e SRTP em ramais e troncos? Eles vêm ativados por padrão?
  2. Qual versão do TLS vocês usam e como gerenciam os certificados?
  3. Como vocês protegem as credenciais SIP e o que acontece após várias tentativas malsucedidas?
  4. Posso restringir por país, rede ou endereço IP de onde os meus ramais se registram?
  5. Vocês têm monitoramento permanente, alertas de fraude e limites de consumo configuráveis?
  6. Com que frequência vocês atualizam a plataforma e como comunicam os incidentes?
  7. Quem opera a infraestrutura: uma equipe própria ou um terceiro cujo serviço vocês revendem?

Se o provedor hesitar ou responder com generalidades, é sinal de que vale continuar procurando. Também vale a pena revisar o marco regulatório do setor na nossa seção de regulamentação.

O código aberto também fala a língua da segurança

Boa parte da telefonia IP do mundo roda sobre software de código aberto, e as ferramentas mais usadas suportam esses padrões. O Kamailio, um servidor SIP muito utilizado por operadoras, inclui um módulo TLS que suporta TLS 1.3. O Asterisk documenta passo a passo como combinar TLS para a sinalização e SRTP para a voz. O FreeSWITCH também oferece configuração de SIP sobre TLS e mídia segura com SRTP.

O fato de o software suportar não significa que venha ativado: a diferença está na equipe que o configura, atualiza e monitora todos os dias. Na 19 80 TIC Cloud, nossa equipe de engenheiros opera a sua própria plataforma de telefonia IP, então essas decisões de segurança são tomadas e revisadas internamente.

Ajudamos você a implementar

Quer levar isso para a sua empresa?

Na 19 80 TIC Cloud temos uma equipe de engenheiros especializados em telefonia IP, redes e nuvem que acompanha você do início ao fim: analisamos como sua empresa se comunica hoje, desenhamos a solução sob medida, implementamos e damos suporte próximo. A primeira consultoria é gratuita.

  • Diagnóstico gratuito
  • Solução sob medida
  • Implementação e suporte
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Fontes

  1. RFC 3261 - SIP: Session Initiation Protocol (IETF)
  2. RFC 3711 - The Secure Real-time Transport Protocol (SRTP) (IETF)
  3. RFC 8446 - The Transport Layer Security (TLS) Protocol Version 1.3 (IETF)
  4. RFC 9846 - The Transport Layer Security (TLS) Protocol Version 1.3 (IETF)
  5. RFC 5246 - The Transport Layer Security (TLS) Protocol Version 1.2 (IETF)
  6. NIST SP 800-58 - Security Considerations for Voice Over IP Systems
  7. CISA - Protect your ECC from TDoS (afiche)
  8. MinTIC - 20 recomendaciones para proteger su actividad en Internet
  9. Kamailio - Documentación del módulo TLS
  10. Asterisk - Secure Calling Tutorial
  11. FreeSWITCH - SIP TLS (documentación oficial)
Tiramos suas dúvidas

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre TLS e SRTP?

O TLS protege a sinalização, ou seja, os dados de quem liga para quem e quando. O SRTP protege a voz, o áudio da conversa. Para uma chamada segura, são necessários os dois.

Criptografar as chamadas afeta a qualidade do áudio?

Em equipamentos e servidores atuais, o impacto costuma ser mínimo. O SRTP foi projetado para acrescentar pouquíssima carga aos pacotes de voz, por isso é usado normalmente na telefonia empresarial.

Uma chamada pelo WhatsApp ou pelo PABX em nuvem já é criptografada?

Depende do serviço e de como ele está configurado. Na telefonia IP empresarial, pergunte ao seu provedor se ele tem SIP sobre TLS e SRTP ativados em ramais e troncos; não parta do princípio de que sim.

O que fazer se eu suspeitar que roubaram a senha de um ramal?

Troque a senha imediatamente, revise o histórico de chamadas e os registros de conexão, avise o seu provedor para que ele bloqueie o tráfego suspeito e verifique se existem limites de consumo e restrições por país ou rede.

Separar a rede de voz é necessário em um escritório pequeno?

É recomendável mesmo em escritórios pequenos. Uma rede virtual (VLAN) para os telefones impede que um computador infectado tenha acesso direto a eles e ajuda a priorizar a qualidade da voz.

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